Quantas vezes irei sacudir os meus guisos,Tua fronte beijar, morna Criatura?E para o alvo alcançar, de tão mística altura,Quantos dardos da aljava hão de me ser precisos?Em conjuras sutis usaremos os juízos,Para após demolir muita grave armadura,Antes de contemplar a grande CriaturaDe desejo infernal que paralisa os risos!Há estes que o Ídolo seu não fitaram jamais,Há o maldito escultor que, marcado de ofensa,Só vive a martelar o peito e a fronte imensa.Só esperam - Capitólio, e de sombras fatais! -Venha a Morte e planando à feição de um sol novo,Em seu cérebro arder como um floral renovo.
BAUDELAIRE
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